Feeds:
Posts
Comentários

Archive for agosto \31\UTC 2012

Por Vanessa Medeiros Acras, nutricionista do Centro de Recuperação e Educação Nutricional – Vila Mariana, organização que integra a Rede Nossas Crianças da Fundação Abrinq – Save the Children

No dia 31 de agosto, é comemorado o dia do nutricionista. Esse profissional vem ganhando mais espaço e abrangência na sua atuação, pois é cada vez mais constante a necessidade deste nas diversas áreas de saúde e alimentação.

O Nutricionista exerce um papel fundamental na vida em sociedade, contribuindo para melhoria na saúde do indivíduo e da coletividade. Ele interpreta fatores culturais, biológicos e sociais, a fim de melhorar a saúde e a qualidade de vida das pessoas.

No CREN – Centro de Recuperação e Educação Nutricional, os nutricionistas atuam em diferentes áreas como ambulatório, hospital-dia e comunidade, no tratamento de crianças e adolescentes com subnutrição, sobrepeso e obesidade e suas famílias, principalmente aquelas que se encontram em dificuldades socioeconômicas nas comunidades de São Paulo.

Os nutricionistas do CREN entendem que existem outros aspectos a serem considerados no tratamento de uma criança com desvio nutricional, que esta situação não é definida tão somente por questões alimentares, e o atendimento nutricional não se limita à ingestão, qualidade e quantidade de alimentos e nutrientes. São considerados também os aspectos psicossociais, os fatores emocionais, o ambiente em que vivem e os relacionamentos dessas famílias.

Essa visão global sobre os indivíduos permite um olhar mais profundo e abrangente da realidade, a identificação de seus patrimônios e não somente de suas carências o que faz com que direta ou indiretamente as pessoas atendidas tenham não somente sua saúde beneficiada, mas sejam sujeitos de transformações em suas famílias e comunidades.

O trabalho envolve intervenções em saúde e ações educativas, como oficinas de educação nutricional e visitas domiciliares. Nessas ações são sempre considerando as reais necessidades da criança e sua família, assim a intervenção se torna mais eficiente e os resultados duradouros.

Dessa forma, o profissional nutricionista do CREN tem como objetivo além de melhorar o estado nutricional e condição de saúde das crianças e adolescentes atendidos, proporcionar a estes e seus familiares, a descoberta da esperança, que é possível sim, enfrentar as dificuldades e superá-las, promovendo melhorias em todos os aspectos de suas vidas.

Anúncios

Read Full Post »

Por Viviane Aparecida da Silva

A situação das crianças requer uma conscientização rápida da sociedade e dos governos para as condições sociais em que vivem. Apenas para citar alguns exemplos descritos no Relatório Situação Mundial da Infância 2012, do UNICEF, 121 milhões de crianças não têm garantido seu direito à instrução; aproximadamente oito milhões morreram em 2010 antes de completar 5 anos de idade; a todo o momento, cerca de 2,5 milhões de pessoas são submetidas ao trabalho forçado como resultado do tráfico, sendo 22% a 50% delas crianças; e estima-se que, em 2008, em todas as partes do mundo, 215 milhões de meninos e meninas entre 5 e 17 anos de idade estivessem envolvidos em trabalho infantil.

A pobreza e a desigualdade são as maiores causas da violência que afetam as crianças, violando suas vidas e as excluindo de políticas de promoção e proteção que têm direito. Cada criança excluída representa uma oportunidade perdida, e gerar oportunidades para as crianças é um dever de toda a sociedade.

Durante os primeiros anos de vida a criança desenvolve seu potencial cognitivo, afetivo e emocional, por isso a infância deve acontecer em um ambiente saudável, que promova a sobrevivência, o crescimento e a aprendizagem. Se no campo científico pesquisas apontam para as crianças como atores sociais, com um novo olhar sociológico para as infâncias, ainda temos muito para colocar em prática quanto a proteção integral à criança, estabelecida como lei na Convenção sobre os Direitos das Crianças e no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Crianças precisam ter prioridade na agenda política, com monitoramento e avaliações mais rigorosos, além do envolvimento da sociedade civil no acompanhamento da implementação de programas urbanos. Que esta data nos provoque a pensar em cidades que acolhem suas crianças, com bairros seguros e protegidos, com escolas de qualidade, bom atendimento na saúde, espaços culturais e de lazer para elas colocarem em prática seu direito ao brincar, essencial ao seu desenvolvimento. O tema é um convite à sociedade a colocar efetivamente a infância como prioridade. Todas as crianças têm direito a crescer saudáveis e felizes, e elas não esperam!

Viviane Aparecida da Silva é assessora da Rede Marista de Solidariedade, do Grupo Marista. É pedagoga, mestre e doutoranda em “Educação Currículo” pela PUC/SP.  É uma das organizadoras do livro Educação Infantil: Reflexões e práticas para a produção de sentidos (Editora Universitária Champagnat, 2012).

 

Read Full Post »

Por Dr. José Moacir de Lacerda Junior, pediatra da Casa Angela, organização conveniada ao Programa Nossas Crianças

“Um ato ético é aquele em que nos abstemos de prejudicar a experiência ou expectativa de felicidade dos outros” (Sua Santidade, o XIV Dalai Lama, Tenzin Gyatso, “Uma ética para o novo milênio”).

Quando nos vemos diante do nascimento de um bebê e consideramos que essa experiência deve ser potencialmente feliz, tudo o que devemos fazer é proporcionar condições para que essa felicidade seja a mais plena e duradoura possível. Imagine o alívio de sair de um lugar onde passamos 9 meses crescendo e que, por mais que tenha sido aconchegante, já não cabemos mais. Todos nós já passamos por isso e, de alguma maneira, essa experiência está marcada em nossa memória, ainda que a maioria dos Seres Humanos não seja capaz de acessá-la. Imagine, também, o desejo que a mãe tem de realizar o encontro com aquele bebê, que a mãe também, por mais feliz e saudável que tenha sido a gestação, deseja que assuma seu lugar no mundo ao lado dela e de quem ela ama.

Quando por fim, então, é realizada a experiência de ambos, mãe e bebê, novo momento se apresenta repleto de amor e…leite. Ou pelo menos assim devia ser, afinal nada mais lógico do que estender essa parceria de 9 meses senão oferecendo-lhe o alimento de melhor qualidade, disponibilidade e economia que se pode oferecer: o leite materno. Consideremos que esse bebê que chega é uma querida visita muito alegremente aguardada. Não temos por hábito servir os mais valiosos e saborosos acepipes que podemos? Por que haveria de ser diferente com nosso filho?

Mas nem tudo é assim tão fácil quanto parece quando se trata de aleitamento materno.

Nem todos jogam a favor e muitos jogam deliberadamente contra. Pelos mais diversos motivos. Inicia-se, muitas (mas muitas mesmo!) vezes na maternidade quando, sob o suposto argumento de deixar a mãe descansar, oferecem à pobre criança uma chuquinha de leite artificial ou (ai meu Deus!) glicose. (E por que as mães precisam tanto descansar hoje em dia? Porque a maioria dos partos é cesárea e isso significa dizer – cirurgia de médio porte, com anestesia). Assim, de alguma maneira já estamos mandando uma mensagem subliminar (que a mídia fez o favor de nos ensinar tão bem como se faz) de que o leite da mãe é fundamental mas pode não ser suficiente (bom? volumoso?) em todas as situações. A mãe que não estiver fortalecida – trabalho de parto é uma revolução e toda revolução pode demandar extrema energia – vai acreditar e registrar a informação. E assim muitos bebês saem das maternidades com a mágica prescrição de solução para angústias alimentares – Fórmula Láctea!

Quando a família chega, então, ao pediatra, já traz a admirável informação: “ ele não está mamando bem e nós estamos complementando – foi orientação da maternidade!!” Agora o pobre da vez é o amável pediatra que deverá desconstruir o mito da lata que alimenta. E se ele for realmente amável, deverá conversar, orientar, aconselhar, ouvir, acolher, amparar as angústias, fantasias, aflições, inquietudes, agonias da mãe (meu leite não sustenta !!!!), do pai (o leite dela não sustenta !!!!) e muitas vezes das avós (eu daria logo uma papinha de fubá !!!) que foram orientados, muito precocemente, que o leite do peito não seria suficiente (a despeito dos diversos profissionais da maternidade que passam em frente a cartazes afixados – “AMAMENTAR, UM ATO DE AMOR” ). Inicia-se uma nova etapa na vida de todos, feita de cumplicidade e confiança. A mãe com seu bebê e o bebê com sua mãe. A mãe e o bebê com o pediatra e vice versa. A mãe, o bebê e o pediatra com o pai e assim por diante. Não deverá haver, nessa corrente, ninguém com a razão absoluta e nem tampouco com a falta dela. Todos serão conhecedores de suas funções e agirão em consenso para o pleno desenvolvimento da criança. Surgem, então, as Mulheres que Dizem Sim…

Essas corajosas mulheres tomam, assim, o destino nas próprias mãos e ao lado de seus fiéis escudeiros (porque nessas horas todos que não são MÃE são apenas fiéis escudeiros) seguirão avançando no sentido de contemplar a melhor possibilidade de desenvolvimento que houver para o pequeno lactente. Ela saberá que o leite de seu peito é o alimento mais completo para o crescimento e a proteção de seu filho. Saberá também que não é só assunto de artigo científico o tal do vínculo que se fortalece com o aleitamento. Saberá, ainda, que pode ser extremamente prazeroso ter só para ela e seu bebê horas de reconhecimento mútuo todo santo dia, horas de aconchego e abraço.

Agora…E quando esse ideal não se concretiza?

Inúmeras são aos razões para que uma mãe não consiga amamentar seu filho. Algumas vezes por fatores que tem origem antes mesmo da concepção como por exemplo uma mamoplastia redutora, que dependendo da técnica utilizada pode comprometer seriamente a amamentação. Mas também razões de ordem emocional e psicológica podem estar envolvidas – alguns autores associam maior incidência de depressão pós natal em partos cesariana.

Sem falar em causas absolutas como prematuridade extrema com internação prolongada em UTI neonatal ou mesmo mulheres mastectomizadas. Também há crianças com fenilcetonúria; elas não podem mamar leite, seja do peito, de vaca ou de outro animal, porque agravaria sua doença e precisam, então, se alimentar de uma fórmula especial. Nesses casos (e em inúmeros outros), a impossibilidade de amamentar acarretará um prejuízo irreparável, uma catástrofe familiar? Lógico que não. A mãe e seus fiéis escudeiros buscarão estratégias de alimentação, de fortalecimento de vínculo, de manifestação de carinho…Tantas são as possibilidades. O que não se pode fazer, ninguém ao redor, é apontar oportunidades passadas. A situação ideal é aquela que se apresenta no momento. É em cima dela que devemos trabalhar. O futuro só se descortina na medida em que o passado deixa de se fazer no presente. Quanto mais tempo a mãe puder amamentar seu bebê melhor, mas quando isso não for possível será necessário unir forças de complacência e compaixão para que tanto a criança quanto a mãe possam experimentar seus momentos iniciais plenos de felicidade, contemplando aquilo que seria, para o Dalai Lama, uma atitude ética.

Read Full Post »